O Brasil alcançou, em 2024, dois marcos importantes no combate ao HIV: eliminou a transmissão vertical — quando o vírus é passado da mãe para o bebê — e registrou o menor número de mortes por Aids em 32 anos. A Santa Casa de Misericórdia de Anápolis faz parte dessa conquista e foi convidada para falar sobre o assunto na Rádio Imprensa. Segundo a enfermeira responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), Adriane Fenatto, explica que o Ministério da Saúde apresentou à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) o pedido de certificação para o Selo de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV. O reconhecimento internacional é resultado de processos e protocolos adotados em toda a Rede Materno-Infantil do SUS, que garantem ações eficazes de prevenção e controle da infecção durante a gestação, o parto e o pós-parto. “Nós temos orgulho de integrar essa rede e ser selecionada para participar da auditoria realizada pela OPAS e OMS, etapa essencial para validar o selo no país”, destaca.
Na avaliação da enfermeira, participar dessa iniciativa representa um marco de compromisso com uma assistência ética, humanizada, segura e com excelência para gestantes e recém-nascidos. Ela ressalta que o hospital mantém esforço contínuo em práticas baseadas em evidências, o que fortalece o cuidado materno-infantil e contribui para avanços decisivos na saúde pública brasileira.
A enfermeira Isabella Martins, do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar, reforça que a instituição segue um fluxo rigoroso e integral de acompanhamento das gestantes, desde a chegada ao hospital até a alta da mãe e do recém-nascido. Segundo ela, todo o atendimento é guiado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, além de normas internas da própria Santa Casa, com apoio do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia.
“Antes do parto, a equipe realiza testes rápidos na gestante e verifica todos os exames do pré-natal. Diante de um resultado positivo para HIV, o protocolo de cuidado específico é iniciado imediatamente, tanto para a mãe quanto para o bebê. A coleta de exames segue para análise no SAE Anápolis, e a notificação compulsória é feita à Vigilância Epidemiológica do município, garantindo o fluxo adequado de informação e controle sanitário. As pacientes também recebem orientações completas sobre o cuidado com o recém-nascido e as medicações necessárias”, detalha.
Para assegurar a continuidade da assistência, no momento da alta são disponibilizadas as fórmulas infantis indicadas para os bebês, medida fundamental para a prevenção da transmissão vertical. “Com esse conjunto de ações, garantimos a qualidade do atendimento e contribuímos diretamente para impedir que o HIV seja transmitido de mãe para filho”, afirma Isabella Martins.
